Cigarros e adeus

dezembro 12, 2009 - 8 Respostas

Meu primeiro cigarro eu acendi quando minha mãe foi embora. Desde então, eu acendo um cigarro pra cada adeus, pra que no futuro, quando meus pulmões estiverem podres, eu tenha a quem culpar. Só depois veio vicio, não sei se em cigarro ou se em adeus, mas ele se tornou meu companheiro fiel.

Fidelidade é uma coisa rara hoje em dia, sabe? Não digo isso como alguém que julga os outros por traírem, porque eu também traio de diversas formas, eu digo isso como o realista que sou. Como eu disse no post anterior, sou sincero demais, até mesmo comigo, até mesmo sobre mim. Não tenho a mínima pretensão de me fingir de bom moço. Eu nem sei por que eu escrevo em um blog realmente, já que aparentemente isso é coisa pra quem tem algo de interessante para compartilhar, o que definitivamente não é o meu caso. Eu nunca tive o hábito de manter diários (e se tivesse eu não diria) e nem mesmo era bom em redação no colégio. Acho que escrevo só pra guardar minhas epifanias e bizarrices em algum lugar; escrevendo eu acabo organizando as idéias melhor, e se já vou escrever, porque não compartilhar com os outros, né? Não é muita gente que lê mesmo… Já foi um dia, quando eu escrevia sobre coisas universalistas em vez de coisas focadas apenas no meu próprio umbigo. Alguns amigos meus dizem que agora eu só escrevo coisas depressivas e mórbidas, mas que no dia-a-dia eu continuo sendo o mesmo besta espirituoso de sempre. Crise existencial? Dupla personalidade? Não. É que tem coisas que por mais que você explique ninguém entende. Então eu simplesmente não perco meu tempo tentando. Deixo minha filosofia fajuta entre minhas quatro paredes e divido apenas com o cigarro que acendo a cada adeus, e quando o cigarro acaba, dou adeus a ele também.

Meu sentimentalismo barato

dezembro 11, 2009 - 11 Respostas

Eu não sou bom com pessoas. Sou ótimo com números, sou ótimo com máquinas e tecnologia, sou ótimo com a natureza, não sou tão ótimo com instrumentos musicas, mas com certeza sou bem melhor com eles do que sou com pessoas.

Pra começar, eu não sou um bom ouvinte: não consigo ficar calado quando eu acho que a pessoa está falando coisas idiotas, e geralmente eu penso isso, porque sou egocêntrico ao extremo e sempre penso que sou o dono da verdade. Depois, eu também não falo bem. Às vezes eu quero dizer algo (algo bom até), mas não consigo me fazer entender ou me faço entender de um jeito errado, e fica parecendo que sou estúpido, ou uma pessoa que fala só pra não ficar calado. Mas não para por aí. Eu não sou afetivo. Não digo “eu te amo” nem para o meu pai, que é a única pessoa que eu tenho certeza que eu amo, e não fico dando abraços e beijos se eu não tiver um interesse especial nisso. Outra coisa: sou sincero demais. Nunca meço palavras pra dizer o que eu penso, e por isso acabo magoando muita gente… Não é proposital, não é como se eu soubesse que isso não é bom e continuasse fazendo, é mais uma coisa involuntária – quando eu percebo, já saiu. Eu sou muito individualista e egoísta; penso em mim antes de pensar em qualquer outra pessoa, e gosto de fazer o que eu gosto só, pra ninguém atrapalhar. Tenho medo de que as pessoas gostem muito de mim, porque isso faz de mim uma pessoa com potencial para machucá-las (mas até isso é uma atitude egoísta, eu só não gosto de ser responsável pela tristeza de ninguém). Da mesma forma, tenho medo de gostar muito das pessoas, pelo motivo inverso, odeio ficar triste/irritado/de mau humor por causa dos outros, quando eu, sozinho, já sou um grande motivo pra ficar assim.

Mas o engraçado, é que eu já fui tudo isso. Eu já fui um ótimo ouvinte, já soube falar dos sentimentos (ou pelo menos senti-los), já soube demonstrar afeto, ser carinhoso, atencioso e até  carente. Eu já gostei muito de pessoas e pessoas já gostaram muito de mim, mas pessoas vem e vão, e eu cansei de ficar só quando elas vão. Dizem que os amigos ficam, mas muitos dos meus amigos também “foram” e não voltaram. Minhas paixões adolescentes, que me davam uma razão para fantasiar, também acabaram. Eu me tornei um realista, um cético. Meu solo se tornou infértil para relações humanas (talvez por desgaste, talvez por prazo de validade).

Eu não sei onde eu me perdi do que eu costumava ser. Mas deve ter sido em algum buraco bem fundo. Eu sempre soube que essa minha mania de esquecer onde guardo as coisas me daria problemas… Me tranquei por dentro e perdi a chave. Espero que alguém tenha um cópia dela por aí.

Imperfeição

dezembro 8, 2009 - 4 Respostas

Eu sou um ser humano
Imperfeito, mas não imortal
Eu cometo erros
E nunca me sinto culpado

Eu sou um ser humano
Maldoso mas não malvado
Eu a feri
E nunca me senti culpado

Eu sou um ser humano
Um assassino cruel
Por matar a fé dela
E nunca me sentir triste

Por que?
Por que não me sinto arrependido?
É porque eu não a amo
Ou é porque – eu sou humano?

Ela também é humana
Por que ela é tão perfeita?
É porque ela me ama mais que
Qualquer outra coisa – isso faz dela tão humana?

Eu sempre digo a ela:
“Você é talentosa no amor
Enquanto eu sou apenas ordinário”
– sou apenas um ser humano.

Eu continuo não sentindo culpa
Embora queira desesperadamente sentir
Talvez eu seja incapaz
Depois de tudo, sou apenas um ser humano.

Ser humano – uma desculpa para cometer erros
Ser humano – uma desculpa para ferir seus sentimentos
Ser humano – uma desculpa para brincar com seu coração
Ser humano – uma desculpa para todos os meus defeitos

Perdoe-me, embora eu ainda
Não me sinta arrependido
Mas algum dia eu tenho certeza que eu vou
Desde que eu seja apenas um ser humano.

Eu sou ser humano

Imperfeito, mas não imortal

Eu cometo erros

E nunca me sinto culpado

Eu sou ser humano

Maldoso mas não malvado

Eu a feri

E nunca me senti culpado

Eu sou ser humano

Um assassino cruel

Por matar a fé dela

E nunca me sentir triste

Por que?

Por que não me sinto arrependido?

É porque eu não a amo

Ou é porque – eu sou ser humano

Ela também é humana

Por que ela é tão perfeita?

É porque ela me ama mais que

Qualquer outra coisa – isso faz dela tão humana?

E sempre digo a ela:

“Você é talentosa no amor”

E continuo “Enquanto eu sou apenas ordinário”

– sou apenas humano.

Eu continuo não sentindo culpa

Embora queira desesperadamente sentir

Talvez eu seja incapaz

Depois de tudo, sou apenas humano.

Ser humano – uma desculpa para cometer erros

Ser humano – uma desculpa para ferir seus sentimentos

Ser humano – uma desculpa para brincar com seu coração

Ser humano – uma desculpa para todos os meus defeitos

Perdoe-me, embora eu ainda

Não me sinta arrependido

Mas algum dia eu tenho certeza que eu vou

Desde que eu seja apenas um ser humano.

Pra não esquecer:

outubro 29, 2009 - 12 Respostas

Amor só é bom, quando é correspondido. É claro que sempre vão existir as pessoas masoquistas, que gostam e acham bonito sofrer por amor… e é por causa dessas pessoas  que o mercado investe tanto nas “músicas pra fossa”, que se distribuem nos mais variados ritmos, desde o sertanejo no gogó, ao emocore.

Eu, particularmente, não curto muito isso. Pode ser que eu não seja romântico ou devotado o suficiente para me contentar com a felicidade do outro… pode ser que eu seja apenas um egoísta filho da puta que se preocupa apenas consigo mesmo… mas na minha humilde opinião, todo amor não correspondido deve ser substituído por um pouco mais de amor próprio. Amor unilateral atrapalha até o sexo! Quer dizer, sexo é bom de qualquer jeito, mas sexo com amor é muito mais complicado. A gente acaba se preocupando mais com o prazer do outro do que com o nosso… Se o outro tiver a mesma preocupação, tudo bem, funciona bem para os dois. Caso contrário, o sistema entra em colapso.

Por essas e outras,  é que eu não acho interessante, nem nada lucrativo, me desgastar por alguém que não me quer, e, pelo menos pra mim, a “desistência” nesse caso não é motivo nenhum para vergonha. Durante muito tempo eu pensei que me apaixonava, mas depois de mudar de paixão como quem muda de marca de sabão em pó tantas vezes, eu descobri que era apenas um capricho meu, uma necessidade de me prender a alguém, mesmo que por uma ou duas horas. Eu gostava de deitar a noite e ter alguém pra pensar, mas não passava disso.

Agora eu mudei de estratégia. Todas as noites, quando eu fecho os olhos, eu penso numa mesma mulher, sem rosto, sem nome,  uma mulher que faz meu coração disparar como nos romances idiotas que eu ando lendo. Eu penso nela, sou fiel a ela,  e desejo silenciosamente que ela exista.

Em queda livre

outubro 28, 2009 - 8 Respostas

A resistência do ar desacelera o processo, mas de todo jeito eu vou acabar de cara no chão. E não podia ser diferente…

Eu sou o tipo do cara que larga tudo por um pouco de adrenalina. Não precisa ser uma adrenalina à la Indiana Jones (o nome do blog é apenas metafórico), mas o pouco de adrenalina que a vida urbana e monótona tem a oferecer, sabe? Como ter um caso com a mulher do delegado, fazer sexo em praça pública, beber três grades de cerveja e vomitar da janela do oitavo andar… ahsuahsua. Brincadeira. Ok, nem tudo é brincadeira… mas a parte do vômito é asuahusa. Ou não. Enfim, vocês nunca vão saber! O que eu quero dizer é que eu sou do tipo que se joga de cabeça em tudo. Cada dia pra mim é uma aventura, e as minhas aventuras costumam ser bastante intensas e pouco duradouras, como pular de pára-quedas. Enquanto você está no céu, você tá sentindo aquele frio na barriga, aquela euforia… mas em alguns minutos você ta no chão e pronto, acabou. Deve ser porque eu enjôo rápido das coisas, porque eu não escolho bem as loucuras que vou cometer… seja o que for, é culpa minha. E eu espero que quem leia o que eu escrevo aprenda com os meus erros e faça escolhas diferentes, porque as minhas só tem me levado ao fundo do poço.

Tinha uma blog que eu costumava ler que se chamava “o melhor exemplo do que não seguir”…. eu achei do caralho quando vi, porque esse seria exatamente o nome que eu daria a um blog meu, se eu tivesse pensado nisso antes de alguém ter pensado. Mas já que não pensei, faço uso da idéia de quem pensou para deixar mais ou menos claro o objetivo desse meu novo blog. Por sinal, eu já tive muitos blogs, mas sempre acabo abandonando sem avisos prévios, assim como faço com tudo na minha vida:  faculdade, namorada, time de futebol de domingo, encontros com a família… Então se você decidir acompanhar meu blog, saiba de antemão que eu não sou bom em compromissos, nem nos compromissos comigo mesmo, veja lá o compromisso de escrever aqui regularmente. Pra falar a verdade, nada em mim é regular, eu não sou linear, e minhas idéias são na maioria das vezes mal fundamentadas, apesar dos meus argumentos serem bonitinhos e convincentes. Falando nisso, “bonitinho” é um termo que eu gosto muito de usar, e eu não acho que haja nada de pejorativo nele. Por exemplo, a Katie Homes é muito bonitinha, e o fato da Penélope Cruz ser maravilhosa, não desmerece em hipótese alguma a bonitezinha da Katie Homes, deu pra entender?

PS: eu não sei porque as pessoas gritam “gerônimo” quando pulam de pára-quedas, mas sempre achei uma coisa legal pra se dizer. Muito melhor que dizer “yahooo!”, ou “wooow!”… isso é coisa de veado. Se alguém souber, por favor me diga.

Para mais informações sobre mim, vide meu antigo blog: Quase nada sobre tudo. (eu não atualizo mais ele)

E pra quem quiser conferir o blog que eu falei, tá aqui o link: O melhor exemplo do que não seguir.