Meu primeiro cigarro eu acendi quando minha mãe foi embora. Desde então, eu acendo um cigarro pra cada adeus, pra que no futuro, quando meus pulmões estiverem podres, eu tenha a quem culpar. Só depois veio vicio, não sei se em cigarro ou se em adeus, mas ele se tornou meu companheiro fiel.
Fidelidade é uma coisa rara hoje em dia, sabe? Não digo isso como alguém que julga os outros por traírem, porque eu também traio de diversas formas, eu digo isso como o realista que sou. Como eu disse no post anterior, sou sincero demais, até mesmo comigo, até mesmo sobre mim. Não tenho a mínima pretensão de me fingir de bom moço. Eu nem sei por que eu escrevo em um blog realmente, já que aparentemente isso é coisa pra quem tem algo de interessante para compartilhar, o que definitivamente não é o meu caso. Eu nunca tive o hábito de manter diários (e se tivesse eu não diria) e nem mesmo era bom em redação no colégio. Acho que escrevo só pra guardar minhas epifanias e bizarrices em algum lugar; escrevendo eu acabo organizando as idéias melhor, e se já vou escrever, porque não compartilhar com os outros, né? Não é muita gente que lê mesmo… Já foi um dia, quando eu escrevia sobre coisas universalistas em vez de coisas focadas apenas no meu próprio umbigo. Alguns amigos meus dizem que agora eu só escrevo coisas depressivas e mórbidas, mas que no dia-a-dia eu continuo sendo o mesmo besta espirituoso de sempre. Crise existencial? Dupla personalidade? Não. É que tem coisas que por mais que você explique ninguém entende. Então eu simplesmente não perco meu tempo tentando. Deixo minha filosofia fajuta entre minhas quatro paredes e divido apenas com o cigarro que acendo a cada adeus, e quando o cigarro acaba, dou adeus a ele também.
Cigarros e adeus combinam. Eu nunca vi alguém acender um cigarro porque está feliz, pra comemorar um gol, pra rir a toa -a não ser que seja maconha. As pessoas acendem um cigarro, principalmente, “porque acalma”. Dependendo de quem for embora, é preciso calma pra aguentar o adeus.
Sempre que leio algo relacionado a cigarros me vem em mente um poeta, em frente a janela olhando para a chuva, sabe? Não sei o motivo. Mas me é tão poético, haha. Não ria.
Então, as pessoas sempre traem as outras não importa como, então eu lembrei do teu poema novamente: ser humano. É isso. Somos humanos, deslizamos várias vezes, não que isso torne aceitável. Mas ameniza.
E sobre escrever, escrevo mesmo para desabafar. Falar aquilo que fica entalado na garganta muitas vezes.
Beijo.
Quando eu escrevo eu crio um espelho nas palavras, tentando entender o que acontece comigo. Tentando resolver. É como fazer do texto uma fórmula matemática pra resolver meus problemas, loucuras e tal – mas até hoje nunca resolveu.
Enquanto tu é sincero de dizer “eu sou” os outros são de dizer “eu sinto”, eu queria conseguir fazer assim como tu.
Engraçado como sentimos necessidade de culpar alguém sempre.
Eu não acho que o que escrevo é de interesse geral. Como disse a Pâmela, escrevo para desabafar. Não consigo mais ficar com mil pensamentos perambulando pela minha cabeça e não escrever nenhum deles. Me relaxa, sabe? Me alivia. Não me preocupo em escrever bem nem em agradar a todos, preocupo-me somente em desafogar as palavras e os sentimentos. Sim, sou egoísta, haha.
Ah, acabei de reparar que tem uma carinha feliz bem no finzinho da página do seu blog. Me fez rir.
Beijo.
Boquiaberta com o que li. Me doí, dar adeus aos meus cigarros. Por doer a saudade, sempre volto a beijá-los
Sabe do quê? Eu escrevo simplesmente porque me ajuda a entender coisas que são complicadas pra mim… Meus amores, relacionamentos passados, sentimentos… E o bom de ter o um blog é poder saber o que os outros pensam sobre a mesma coisa.
Na confusão do nosso mundo, sempre tem alguém que se identifique.
Beijinho.
Tenho vários amigos que fumam e que considero super cabeças. Adoro todos eles. Mas não gosto da companhia de um fumante – prefiro a do amigo. Por isso, fume longe de mim, por favor.
Nunca terei a audácia de pôr um cigarro na boca. Eu disse audácia, não coragem. E por dois motivos:
1 – Considero um estado de fraqueza ou de blasé absoluto. A pessoa que fuma pela primeira vez ou quer tentar esquecer/superar algo (foi o seu caso?) ou quer se exibir diante de um grupop da sociedade;
2 – Meu pai quase morreu de tuberculose poorque fumava desde os treze anos. Parou em 1998. De vez. E parou por minha causa. Para que eu crescesse com um pai em casa, VIVO (hoje em dia, porém, um quer matar o outyro, mas isso é história pra outra hora).
Quanto a esse intuto de escrita, também não ajudo muito. Assim como você, napo escrevo com o intuto de compairtilhar nada, nao faço questao. Aliás, como me definiram certa vez e como costumo aformar, sou cronista amadora e EGOÍSTA. Nada posso fazer com isso, minha escrita está destionada apenas aos meus proprios olhos.
E, no entanto, paradoxalmente, escrevo para não ser esquecida.
Relato o tempo. O espaço em que vivo. É essa a função de um escritor.
Olha, gostei daqui. muito esmo. E voltarei.
Talvez seja um momento de vc parar de dizer tantos “adeus” e fumar tantos cigarros…
Eu só sei q escrevo pq a falta das palavras obstrui as artérias!
=*