Meu primeiro cigarro eu acendi quando minha mãe foi embora. Desde então, eu acendo um cigarro pra cada adeus, pra que no futuro, quando meus pulmões estiverem podres, eu tenha a quem culpar. Só depois veio vicio, não sei se em cigarro ou se em adeus, mas ele se tornou meu companheiro fiel.
Fidelidade é uma coisa rara hoje em dia, sabe? Não digo isso como alguém que julga os outros por traírem, porque eu também traio de diversas formas, eu digo isso como o realista que sou. Como eu disse no post anterior, sou sincero demais, até mesmo comigo, até mesmo sobre mim. Não tenho a mínima pretensão de me fingir de bom moço. Eu nem sei por que eu escrevo em um blog realmente, já que aparentemente isso é coisa pra quem tem algo de interessante para compartilhar, o que definitivamente não é o meu caso. Eu nunca tive o hábito de manter diários (e se tivesse eu não diria) e nem mesmo era bom em redação no colégio. Acho que escrevo só pra guardar minhas epifanias e bizarrices em algum lugar; escrevendo eu acabo organizando as idéias melhor, e se já vou escrever, porque não compartilhar com os outros, né? Não é muita gente que lê mesmo… Já foi um dia, quando eu escrevia sobre coisas universalistas em vez de coisas focadas apenas no meu próprio umbigo. Alguns amigos meus dizem que agora eu só escrevo coisas depressivas e mórbidas, mas que no dia-a-dia eu continuo sendo o mesmo besta espirituoso de sempre. Crise existencial? Dupla personalidade? Não. É que tem coisas que por mais que você explique ninguém entende. Então eu simplesmente não perco meu tempo tentando. Deixo minha filosofia fajuta entre minhas quatro paredes e divido apenas com o cigarro que acendo a cada adeus, e quando o cigarro acaba, dou adeus a ele também.